domingo, 11 de janeiro de 2026

FIGURAS HISTÓRICAS | MUMADONA DIAS — A PRIMEIRA SENHORA A METER PORTUGAL NA LINHA (SÉCULO X STYLE), de MBARRETO CONDADO


Antes de Portugal ter nome, bandeira ou sequer um jeitinho para existir, já lá estava Mumadona Dias, a mulher que olhou para o caos medieval e disse, com toda a serenidade possível: 
“Isto precisa de liderança feminina.”

Se houvesse LinkedIn no século X, o perfil dela teria: “Governante. Gestora de conflitos. Construtora ocasional de castelos. Aceito currículos.”

Mumadona era aquela pessoa que, se visse um problema, resolvia logo — não esperava por reuniões, comissões ou estudos de impacto.
A região estava a ser atacada?
Mumadona não chorou, não fugiu, não chamou reforços.
Construiu um castelo.
Assim.
Como quem monta um galinheiro, mas em grande.

E foi assim que nasceu o Castelo de Guimarães:
porque Mumadona acordou, olhou pela janela e pensou: “Isto dava aqui uma fortaleza jeitosa.”

A tripulação de monges e nobres devia viver em modo permanente de espanto.
Um dia chegavam ao pé dela e diziam:
“Senhora, estamos a precisar de segurança…”
E ela:
“Pronto, castelo.”

No dia seguinte:
“Senhora, precisávamos de organização religiosa…”
“Mosteiro. A seguir.”

E ainda sobrava tempo para respirar fundo e gerir terras como quem gere uma quinta em horário de verão.

Se Mumadona vivesse hoje, seria a típica tia que:
• organiza o Natal,
• manda áudios de 3 minutos com instruções,
• arruma a casa dos outros,
• e constrói um anexo no quintal porque “dá jeito”.

Aliás, é fácil imaginá-la no século X a dizer aos vassalos: “Rapazes, eu vou montar um mosteiro ali. Vocês tratem de não estragar nada. É só isso.”

No fundo, Mumadona Dias foi a primeira grande mulher da nossa história porque fez o que ninguém estava preparado para ver: mandou antes mesmo de Portugal existir para ser mandado.

E mandou tão bem que, mil anos depois, ainda estamos aqui a agradecer-lhe…
e a tentar dar aquele ar que sabemos o que ela fez no teste de História.

MBarreto Condado

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