Atravessava
o parque como se fosse perseguido pelo próprio Diabo, a camisa colada ao corpo,
as mãos sujas de sangue a prova de um crime que não cometera, voltar para trás
não era opção era assumir uma culpa que não era sua. Ouvia as sirenes da
polícia, aproximavam-se, os gritos aqueciam a fria noite mas gelavam-no por
dentro. Aproveitava a escuridão para se afastar daquele nefasto local, não
sabia para onde ia, só não podia parar. Já vira demasiadas séries policiais
para saber que não devia tocar num corpo caído, mas quando percebera que ainda
respirava não hesitara. Segurara-a nos seus braços. Agora enquanto fugia
através do parque sentia a mente dormente, o corpo ameaçava ceder não podia
voltar para trás ninguém acreditaria na sua palavra. Chegara ao portão. Foi
quando a viu do outro lado da estrada. A mesma mulher que tivera nos seus
braços. Afinal não morrera. Então de quem era aquele sangue que lhe escorria
das mãos? Sentia a camisa colada ao corpo, era o seu sangue que a prendia.

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