Regressarei.
Estou a escrever-te, mas parece que me esqueci de como fazê-lo, porém, desejo relembrar-te de todos os nossos momentos que possam ter ficado esquecidos no fundo das tuas memórias.
Dizem
que só amamos e desejamos verdadeiramente uma vez na vida.
A
verdade é que quando nos conhecemos prometemos nada prometer, eramos amantes,
libertos de problemas, de esperas, de sofrimento, vivíamos somente para nos
amar quando nos era permitido e apesar dos quilómetros que nos separavam,
estarmos em extremos opostos do continente nunca foi um problema somente mais
um obstáculo para contornarmos e durante muito tempo chegou. Até que algo
mudou.
Comecei
a querer mais, ser tua amante já não me chegava, queria ser tua companheira, o
maior amor que tiveste na vida. Fazia os possíveis para não pensar no vazio da
tua ausência, sentia os teus lábios tocarem os meus, os teus braços puxando-me
para ti, conseguia sentir o teu calor, o teu cheiro, os meus sentimentos acompanhavam
todos os nervos do meu corpo aproximando-me cada vez mais de ti acabando por
acordar sempre com o sabor agridoce dos teus beijos virtuais por não estares ao
meu lado.
Descobri
que a amargura nos aparece em sonhos a preto e branco.
E
sonhei.
Sonhava
contigo, não me lembro se falávamos, sentia quando a minha alma abandonava o
meu corpo procurando-te incessantemente até te encontrar, pairando sobre ti
observando-te deitado, gentilmente afastava o lençol, despindo-te cobrindo o
teu corpo com o meu. Os nossos corpos nus, tocando-se, beijando-se, presos a
novas sensações, amávamo-nos com a intensidade da descoberta como se fosse
sempre a primeira vez, e foi ao teu lado que descobri que existem muitas formas
de amar.
Pouco
depois começámos com as promessas que tínhamos jurado não fazer e os nossos
sentimentos ganharam contornos inesperados, conseguia ver o futuro e esse era
mágico ao teu lado, já tinha tomado a minha decisão e essa eras, Tu!
Passei
a acreditar que a nossa hora chegara e que o futuro seriamos, Nós!
Não
faz muito tempo deixava a janela do quarto aberta apesar do frio por sentir que
nos aproximava.
Sentia-me
culpada quando escrevia que te amava e não to podia provar por estares longe.
A
verdade é que te amarei para sempre afinal somos os melhores em tudo o que
fazemos, vivo para a minha felicidade que és tu, afinal o verdadeiro amor sabe
a ti.
Agora
sempre que olho para o lado e te vejo, te consigo tocar e te observo a fazeres
o mesmo, colando os teus lábios aos meus, sinto que tudo foi possível.
Acreditei
sempre que até nos voltarmos a ver nunca nenhuma carta de amor era uma
despedida e se me arrependi de muitas coisas, nunca me arrependi de ti.
Amo-te!
MBarreto Condado

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