quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

COLECTÂNEAS | TRÊS QUARTOS DE UM AMOR, de MBARRETO CONDADO | CHIADO BOOKS

Regressarei.

Estou a escrever-te, mas parece que me esqueci de como fazê-lo, porém, desejo relembrar-te de todos os nossos momentos que possam ter ficado esquecidos no fundo das tuas memórias.

Dizem que só amamos e desejamos verdadeiramente uma vez na vida.

A verdade é que quando nos conhecemos prometemos nada prometer, eramos amantes, libertos de problemas, de esperas, de sofrimento, vivíamos somente para nos amar quando nos era permitido e apesar dos quilómetros que nos separavam, estarmos em extremos opostos do continente nunca foi um problema somente mais um obstáculo para contornarmos e durante muito tempo chegou. Até que algo mudou.

Comecei a querer mais, ser tua amante já não me chegava, queria ser tua companheira, o maior amor que tiveste na vida. Fazia os possíveis para não pensar no vazio da tua ausência, sentia os teus lábios tocarem os meus, os teus braços puxando-me para ti, conseguia sentir o teu calor, o teu cheiro, os meus sentimentos acompanhavam todos os nervos do meu corpo aproximando-me cada vez mais de ti acabando por acordar sempre com o sabor agridoce dos teus beijos virtuais por não estares ao meu lado.

Descobri que a amargura nos aparece em sonhos a preto e branco.

E sonhei.

Sonhava contigo, não me lembro se falávamos, sentia quando a minha alma abandonava o meu corpo procurando-te incessantemente até te encontrar, pairando sobre ti observando-te deitado, gentilmente afastava o lençol, despindo-te cobrindo o teu corpo com o meu. Os nossos corpos nus, tocando-se, beijando-se, presos a novas sensações, amávamo-nos com a intensidade da descoberta como se fosse sempre a primeira vez, e foi ao teu lado que descobri que existem muitas formas de amar.

Pouco depois começámos com as promessas que tínhamos jurado não fazer e os nossos sentimentos ganharam contornos inesperados, conseguia ver o futuro e esse era mágico ao teu lado, já tinha tomado a minha decisão e essa eras, Tu!

Passei a acreditar que a nossa hora chegara e que o futuro seriamos, Nós!

Não faz muito tempo deixava a janela do quarto aberta apesar do frio por sentir que nos aproximava.

Sentia-me culpada quando escrevia que te amava e não to podia provar por estares longe.

A verdade é que te amarei para sempre afinal somos os melhores em tudo o que fazemos, vivo para a minha felicidade que és tu, afinal o verdadeiro amor sabe a ti.

Agora sempre que olho para o lado e te vejo, te consigo tocar e te observo a fazeres o mesmo, colando os teus lábios aos meus, sinto que tudo foi possível.

Acreditei sempre que até nos voltarmos a ver nunca nenhuma carta de amor era uma despedida e se me arrependi de muitas coisas, nunca me arrependi de ti.

Amo-te!

MBarreto Condado

 

 

 

 

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