Era
cedo e estava quente, como em tantas manhãs de Outono,
Quando
o vi, ali, parado, parecendo-me triste, só, contrariado,
Sentia
por dentro o mesmo que via quando o olhava, não sabia, contudo, que seria naquele
momento, que me entregaria perdida num quente abandono,
Duas
almas que se encontravam, dois corpos que se procuravam e se unem numa dança
ansiosa, carenciados.
Não
era amor nem paixão como tantas vezes me afirmaste, era pura atração,
Quis,
contudo, acreditar que poderia ser mais, talvez luxuria, talvez desejo ou
somente aquela necessidade de te sentir,
De
te sentir ali ao meu lado, o teu calor, o teu cheiro, o bater descompassado do teu
coração,
Quando
finalmente nos amámos, fomos um e esse sentimento ficaria para sempre mesmo quando
tivesse que te ver partir.
Não era amor nem paixão, como tantas vezes me afirmaste, era pura atração,
Todos os dias daquele mês que tivemos para nos amar,
Foram
intemporais, mas ameaçavam agora ser curtos demais,
E
sem saber como, já me sentia perdida, perdida em ti, no calor do teu abraço, quis
bramar,
Mas
não tive forças, sentia-me perdida nos meus sentimentos, em todos os meus ais.
Não era amor nem paixão, como tantas vezes me afirmaste, era pura atração,
Quis pedir ao tempo que me desse alguns minutos mais, mas acima de tudo que parasse com a sua rápida tortura,
Que
simplesmente parasse, ali era feliz, naqueles braços que me apertavam, com aquele
estranho que eras tu e ali estavas,
Mas
naqueles curtos dias de Outono, perdi-me no teu corpo, em todo o sexo que
fizemos e em toda a sua candura,
Esqueci-me
do mundo à minha volta, de tudo, de todos, e entreguei-me. Perdidos do tempo mas
conscientes de todos os nossos sentidos. O que necessitava tu me davas.
Não era amor nem paixão, como tantas vezes me afirmaste, era pura atração,
Mas como esse sentimento para ti não era nem amor nem paixão,
Era
simples desejo, necessidade, simples tesão,
Fui-me
tornando mais fraca e tu mais distante, exaustos, felizes, mas hesitantes. Chegara
a tão adiada decisão,
O
tempo não parou, e tu partiste de volta para os braços daquela que não te
queria mas te tinha na tua escolhida prisão.
Não era amor nem paixão, como tantas vezes me afirmaste, era pura atração,
Aqui fiquei novamente perdida, sem rumo, sem poder de decisão,
Queria,
contudo, saber que para ti não fora somente um único momento para relembrar,
De
desenfreado desejo, de loucura, de necessidade, de oportunidade, mas também de
paixão,
Quis
acreditar que talvez pudesses ter sentido mais, quem sabe até mesmo ficares
aqui só para me adorar.
Não era amor nem paixão, como tantas vezes me afirmaste, era pura atração,
Mas nunca foi só pura atração, para ti era mais fácil pensares que sim,
Quisera,
contudo, o destino, naqueles curtos dias de Outono,
Que
algo dentro de ti mudasse e voltasses para mim num frenesim,
Os
braços dela já não te chegavam, o teu coração era meu, comigo não sentias o
abandono.
Ela era aquela que tinha tido o teu amor, a tua paixão, mas já não tinha o teu coração.
É
amor, é paixão, ao contrário do que tantas vezes afirmaste, e a atração
continua lá.
MBarreto Condado

Sem comentários:
Enviar um comentário